Rua corroía
As patas desse cachorro,
Rato morto na porta do bueiro,
Seu sangue levado pela chuva...
Na batida, o olhar sombrio
Daquela curva, sem passagem
Nem calafrios...
Aquela face trêmula
Estancada e impura,
Pura bobagem dessa vida
Com saudade, pouca culpa,
Que bobagem de ternura.
Queria eu acreditar naquela vítima,
A cara esfolou até o muro
Na lamentação
Daquilo tudo...
Que absurdo!
Naquela noite você se escorava e,
Em mim parecia uma frase mal dita...
Sem desfecho nem contexto.
Algo ilegível
Nessa lembrança que carrego, te encontrei no
Frio desse lugar tentando acobertar o seu olhar...
Tirando a poeira, jogando no lixo
A vontade de ir embora.
Olha aqui e, veja que o que você quer ver
É apenas o barco na enxurrada, mesmo que abandonado
Na madrugada que sempre passa
Acordada, como esse vento que me lambe a face...
Talvez seria uma chance mesmo sem rosto,
Um encontro que a gente se despisse desse disfarce,
Daquele nosso jeito sem criar nenhum alarde,
Não me olhe assim como estar preso no seu carcere...
Sabia eu que não seria assim tão fácil,
Um momento a mais esperando sempre
Essa proporção do seu desespero, dor
Na busca de aconchego...
Hoje deixei de ler o jornal, a notícia pra
Mim seria inevitável, carregando ainda
O amargo de como você ainda me olha...
Mesmo assim, desacordada...
Na portaria esperei muito, nem mesmo
Sei qual a razão de estar ali, talvez um
Disco tocando ao seu ouvido descompassado
Aguardando seu olhar riscando a minha dor...
Nessa rua onde eu caio derrubo as calçadas.
Pela noite, caminhei estradas à fora...
Acabei perdendo tempo, por aqui,
Por ali... Muita carona eu perdi...
Deixei tudo pra ficar aqui.
Faltou algo aqui dentro, algo que
Você levou embora e, não vai
Devolver nem no correio,
Nem mesmo me mandar por e-mail.
To daquele jeito, jeito de sempre,
Me embebedando trancado
No meu vagabundo quarto,
Enquanto você queima meu retrato.

Sabe quanto tempo demora pra você
Criar calo nos coturnos, sabe como há?
Talvez o tempo de uma rua
Esfolando sua cara, talvez
O tempo da batida de um coração,
Que não bate, mas te espanca.
Tenho uma série de desconfortos,
Vários arranhões e hematomas.
Pancadas da vida, levo sempre e,
Fujo quando posso ou
Quando me dá tempo...
Agora eu me pergunto:
Não procuro caminho, nem
Ao menos alguma mera resposta?
Parei de mergulhar nessa bosta,
Nessa merda, ou na valeta
Que beira a minha porta.
Vejo carros atravessando as ruas
Como um andar difuso, brusco.
Nem nas velhas calçadas consigo
Ter meu caminhar tranquilo,
Uma dor que sempre deixará
Vários resquícios...
Tenho e, muito poucos vícios.
Você, você, você...
Lugar comum me deixa em casa.
Falta, só do vento
Quando ainda me abraça...
Turvo-me à um olhar
Tão brusco feito brisa...
Chovo-me
Entre estilhaços depois de atravesar
Sua rua corroída...
Vento...
Lágrimas que arranham
Seu rosto até aqui,
Por ali também...
Enquanto andava
Nesse todo and
Sem jeito, nós
Sujos, os meus punhos
A cada dia.
Não me peça pra levá-la daqui...
Também me vasculho dessas ruas...
Entregar-se all'
Coração envenenado...
Nevoar end nosso poço de insensatez...
Isso não mais me cega, ruas quais ando
Não há endereço algum de entrega.
Meu olhar.
Leve'me... Daqui até a próxima noite...
Leve'me ao menos por essa noite.
Meu olhar ainda leve...
Veja-se antes do estilhaçar do
Céu caindo feito tempestade,
Venha-me-nus'seus end os sonhos,
Ande, chore pouco... But, não chore tanto.
Melhor, não chore.
A enxurrada já se foi e,
Sempre aos poucos. Sobre você, presa
No seu olhar mais brusco
Não sei onde está ou pra onde vai, pouco importa...
Veja-me antes de estilhaçar-se no seu céu...
Venha-me-nus'seus end os sonhos,
Ande, chore pouco... Não chore.
Também eu sem choro...
A chuva continua caindo,
Como o dia que nasceu,
Naquele dia de chuva...
Porta aberta feito boca torta
Baba com pelo de cachorro louco...
Olho seco,
Palpebro meu andar sem jeito...
Vista grossa me defeito...
Hora, ora...
Proso o verso antes
De cair fora...
Não deixo flores na portaria.
O tempo pede pra esperar
Que a chuva caia...
Esse vento se fez no caminho.
Sinto frio, sinto tanto... Esse frio...
Tente dormir, é o que
Faríamos depois...
Tento dormir também.
Perca um tempo me ouvindo,
Ouça as gotas que caem
Logo durante essa chuva que não para de cair...
Veja-me mesmo nos seus olhos pesados.
Só não derrube o nosso jardim.
As Flores precisam te ver regá-las...
O que se foi com o vento,
Escorre aqui dentro também!
Tente deitar e dormir um pouco,
Traga-me a mão naquele rosto conhecido
Calejado sob nossas esperanças...
Limpe a maquiagem que ainda carrega no seu próprio rosto.
Veja-me e, diga o que há de haver num dia qualquer.
Abra seus olhos, abra os olhos e, veja
Que as nuvens ainda se afastam do céu...
Elas nos levaram pra esse olhar que se esvaiu
Por um nebuloso tempo.
Parei de fazer pedidos, lembro que os
Nossos olhos se renderam
Na última vista... Eles ainda se rendem, mesmo repudiantes.
Não te abraço, nem chego assim tão perto.
Não posso...
Fomos embora... Isso logo após a chuva que ainda cai.
Acuar nunca foi meu verbo...
Fazer com que o tempo se passe sem empurra-lo,
No vento, não aprendi...
Chuva nos olhos pararam de cair.
Aceitar o tao estado perfeito, ainda não sabemos...
Manter-se, é o respeito.
Isso não foi dizer vá embora.
Pensar nem sempre há tempo.
Aqui ou por aí
Também, sem nenhum receio...
VOLTEI!!!
Pensei ter acordado.
Estado zucado de pensar.
Meus olhos ainda estão,
Lodosos.
Inflamados feito as vísceras
De um
Cão sem expectativas...
Um luar Febril,
Avisa a
Próxima chuva...
Vivo aqui do outro lado
Da rua...
A cidade corre e se esconde
Numa curva.
Dizem muito por
Pouco,
Mesmo
Ainda por
Pouco saber.
Sinto falta da última chuva,
Daquele frio,
Até da minha
Própria falta
De conduta...
No bueiro aqui
Em frente,
Os ratos se digladiam
Por migalhas
Que joguei
Ao vento.
Mesmo assim,
Ainda carrego algum
Tormento.
Esses olhos comendo
Nada além
Do que
A falha
Daquilo que
Seja
O próximo
Momento
A noite é solitária e,
Me convida pra sair.
Por suas ruas caio
Nas esquinas obscuras,
Vento, chuva, muita chuva
Nos olhos das garotas
Da rua...
A noite me tira de casa,
Como quem sente fome.
Fico da janela vendo
O asfalto esfolando
Esses rostos calejados,
Fico na janela vendo
A chuva que escorre
Pelo vidro...
Não tenho um pingo
De sono. Vejo os sonhos
Sendo estraçalhados.
O amor escorre pela sarjeta
Sem nenhum abrigo,
Como a água da chuva que não
Para de cair, os ratos
Tentando fugir, as baratas
Correm para a calçada...
Um cachorro olha para
O nada.
Não sinto falta nem dor,
Não sinto muito,
Não sinto nada...
Talvez seja o frio
Ou a garrafa que acabou
No meio do caminho
De volta pra casa...
Aquela estrada eu não ando mais...
Sendo assim, sobrevivo por aqui com
Essa nossa falta de paz.
O caminho continua curto, sempre curto.
Nessa vida vivo tantos, esses tantos absurdos,
Eu nunca tive um lugar...
Continuo há passar tantos lugares,
Esses tantos lugares
Nem sequer alguém pra dar
Um abrigo qualquer...
Só me lembro de ficar
Aqui sozinho,
Sempre aqui sozinho comigo.
Essa é a minha vida,
A que não quero largar, assim
Eu vivo,
Pela minha falta de paz...
Sempre pelas ruas, sempre
Sem saber por onde ando.
Essa é a vida minha, parecida com a
De tantos que camhinham...
No Bar ao lado eu vejo
Nada além e, como sempre
Me levanto pra não ser
Derrubado, me levanto
Pra não ser tão derrubado...
Já me pegaram muitas vezes
Em prantos, momentos outros,
Também continuam me escorando e,
Acabo agora acreditado.
Tive confiança, tenho e, sempre
Até agora, alguém do meu lado.
Não saí impune, nem sequer
Por um minuto, por aqui e,
Alí vasculhei um lugar...
Lugar qualquer,
Na escória do meu
Mundo...
Hoje