O VIBRIÃO COLÉRICO DAS MULHERES - um blog de Rodrigo Cordeiro - UOL Blog

 

Naquela noite você se escorava e,

Em mim parecia uma frase mal dita...

Sem desfecho nem contexto.

Algo ilegível


Nessa lembrança que carrego, te encontrei no

Frio desse lugar tentando acobertar o seu olhar...

Tirando a poeira, jogando no lixo

A vontade de ir embora.


Olha aqui e, veja que o que você quer ver

É apenas o barco na enxurrada, mesmo que abandonado

Na madrugada que sempre passa

Acordada, como esse vento que me lambe a face...


Talvez seria uma chance mesmo sem rosto,

Um encontro que a gente se despisse desse disfarce,

Daquele nosso jeito sem criar nenhum alarde,

Não me olhe assim como estar preso no seu carcere...


Sabia eu que não seria assim tão fácil,

Um momento a mais esperando sempre

Essa proporção do seu desespero, dor

Na busca de aconchego...


Hoje deixei de ler o jornal, a notícia pra

Mim seria inevitável, carregando ainda

O amargo de como você ainda me olha...

Mesmo assim, desacordada...


Na portaria esperei muito, nem mesmo

Sei qual a razão de estar ali, talvez um

Disco tocando ao seu ouvido descompassado

Aguardando seu olhar riscando a minha dor...


Nessa rua onde eu caio derrubo as calçadas.

Pela noite, caminhei estradas à fora...

Acabei perdendo tempo, por aqui,

Por ali... Muita carona eu perdi...

Deixei tudo pra ficar aqui.


Faltou algo aqui dentro, algo que

Você levou embora e, não vai

Devolver nem no correio,

Nem mesmo me mandar por e-mail.


To daquele jeito, jeito de sempre,

Me embebedando trancado

No meu vagabundo quarto,

Enquanto você queima meu retrato.


 

Sabe quanto tempo demora pra você

Criar calo nos coturnos, sabe como há?

Talvez o tempo de uma rua

Esfolando sua cara, talvez

O tempo da batida de um coração,

Que não bate, mas te espanca.

Tenho uma série de desconfortos,

Vários arranhões e hematomas.

Pancadas da vida, levo sempre e,

Fujo quando posso ou

Quando me dá tempo...

Agora eu me pergunto:

Não procuro caminho, nem

Ao menos alguma mera resposta?

Parei de mergulhar nessa bosta,

Nessa merda, ou na valeta

Que beira a minha porta.

Vejo carros atravessando as ruas

Como um andar difuso, brusco.

Nem nas velhas calçadas consigo

Ter meu caminhar tranquilo,

Uma dor que sempre deixará

Vários resquícios...

Tenho e, muito poucos vícios.

Você, você, você...

Lugar comum me deixa em casa.

Falta, só do vento

Quando ainda me abraça...

 

 

Turvo-me à um olhar

 

Tão brusco feito brisa...


Chovo-me

Entre estilhaços depois de atravesar

Sua rua corroída...


Vento...

Lágrimas que arranham

Seu rosto até aqui,

Por ali também...

 

 

Enquanto andava

Nesse todo and

Sem jeito, nós

Sujos, os meus punhos

A cada dia.

Não me peça pra levá-la daqui...

 

Também me vasculho dessas ruas...

Entregar-se all'

Coração envenenado...

Nevoar end nosso poço de insensatez...

 

Isso não mais me cega, ruas quais ando

Não há endereço algum de entrega.

 

Meu olhar.

Leve'me... Daqui até a próxima noite...

Leve'me ao menos por essa noite.

Meu olhar ainda leve...

 

Veja-se antes do estilhaçar do
Céu caindo feito tempestade,

Venha-me-nus'seus end os sonhos,

Ande, chore pouco... But, não chore tanto.

Melhor, não chore.

 

A enxurrada já se foi e,

Sempre aos poucos. Sobre você, presa

No seu olhar mais brusco

 

Não sei onde está ou pra onde vai, pouco importa...

 

Veja-me antes de estilhaçar-se no seu céu...

Venha-me-nus'seus end os sonhos,

Ande, chore pouco... Não chore.

Também eu sem choro...

A chuva continua caindo,

Como o dia que nasceu,

Naquele dia de chuva...

Porta aberta feito boca torta

Baba com pelo de cachorro louco...

Olho seco,

Palpebro meu andar sem jeito...

Vista grossa me defeito...

Hora, ora...

 

Proso o verso antes

De cair fora...

 

Não deixo flores na portaria.

O tempo pede pra esperar

Que a chuva caia...

Esse vento se fez no caminho.

Sinto frio, sinto tanto... Esse frio...

Tente dormir, é o que

Faríamos depois...

Tento dormir também.

Perca um tempo me ouvindo,

Ouça as gotas que caem

Logo durante essa chuva que não para de cair...

Veja-me mesmo nos seus olhos pesados.

Só não derrube o nosso jardim.

As Flores precisam te ver regá-las...

O que se foi com o vento,

Escorre aqui dentro também!

Tente deitar e dormir um pouco,

Traga-me a mão naquele rosto conhecido

Calejado sob nossas esperanças...

Limpe a maquiagem que ainda carrega no seu próprio rosto.

Veja-me e, diga o que há de haver num dia qualquer.

Abra seus olhos, abra os olhos e, veja

Que as nuvens ainda se afastam do céu...

Elas nos levaram pra esse olhar que se esvaiu

Por um nebuloso tempo.

Parei de fazer pedidos, lembro que os

Nossos olhos se renderam

Na última vista... Eles ainda se rendem, mesmo repudiantes.

Não te abraço, nem chego assim tão perto.

Não posso...

Fomos embora... Isso logo após a chuva que ainda cai.

Acuar nunca foi meu verbo...

Fazer com que o tempo se passe sem empurra-lo,

No vento, não aprendi...

Chuva nos olhos pararam de cair.

Aceitar o tao estado perfeito, ainda não sabemos...

Manter-se, é o respeito.

Isso não foi dizer vá embora.

Pensar nem sempre há tempo.

Aqui ou por aí

Também, sem nenhum receio...


 

VOLTEI!!!

Pensei ter acordado.

 

Estado zucado de pensar.

 

Meus olhos ainda estão,

Lodosos.

 

Inflamados feito as vísceras

De um

Cão sem expectativas...

 

Um luar Febril,

Avisa a

Próxima chuva...

 

Vivo aqui do outro lado

Da rua...

 

A cidade corre e se esconde

Numa curva.

 

Dizem muito por

Pouco,

Mesmo

Ainda por

Pouco saber.

 

Sinto falta da última chuva,

 

Daquele frio,

Até da minha

Própria falta

De conduta...

 

No bueiro aqui

Em frente,

Os ratos se digladiam

Por migalhas

Que joguei

Ao vento.

 

Mesmo assim,

Ainda carrego algum

Tormento.

 

Esses olhos comendo

Nada além

Do que

A falha

Daquilo que

Seja

O próximo

Momento

 

 

A noite é solitária e,

Me convida pra sair.

Por suas ruas caio

Nas esquinas obscuras,

Vento, chuva, muita chuva

Nos olhos das garotas

Da rua...


A noite me tira de casa,

Como quem sente fome.


Fico da janela vendo

O asfalto esfolando

Esses rostos calejados,

Fico na janela vendo

A chuva que escorre

Pelo vidro...


Não tenho um pingo

De sono. Vejo os sonhos

Sendo estraçalhados.


O amor escorre pela sarjeta

Sem nenhum abrigo,

Como a água da chuva que não

Para de cair, os ratos

Tentando fugir, as baratas

Correm para a calçada...

Um cachorro olha para

O nada.


Não sinto falta nem dor,

Não sinto muito,

Não sinto nada...


Talvez seja o frio

Ou a garrafa que acabou

No meio do caminho

De volta pra casa...

 

 

 

Aquela estrada eu não ando mais...

Sendo assim, sobrevivo por aqui com

Essa nossa falta de paz.

 

O caminho continua curto, sempre curto.

Nessa vida vivo tantos, esses tantos absurdos,

Eu nunca tive um lugar...

 

Continuo há passar tantos lugares,

Esses tantos lugares

Nem sequer alguém pra dar

Um abrigo qualquer...

 

Só me lembro de ficar

Aqui sozinho,

Sempre aqui sozinho comigo.

 

Essa é a minha vida,

A que não quero largar, assim

Eu vivo,

Pela minha falta de paz...

 

Sempre pelas ruas, sempre

Sem saber por onde ando.

Essa é a vida minha, parecida com a

De tantos que camhinham...


No Bar ao lado eu vejo

Nada além e, como sempre

Me levanto pra não ser

Derrubado, me levanto

Pra não ser tão derrubado...


Já me pegaram muitas vezes

Em prantos, momentos outros,

Também continuam me escorando e,

Acabo agora acreditado.


Tive confiança, tenho e, sempre

Até agora, alguém do meu lado.

Não saí impune, nem sequer

Por um minuto, por aqui e,

Alí vasculhei um lugar...

 

Lugar qualquer,

Na escória do meu

Mundo...

 

 

Hoje

 


 

Neste Sábado

 

To comendo caspa de bueiro,

Arrastando o pouco cabelo que ainda tenho,

Cagando em qualquer canto,

Minha cara é suja e asquerosa,

Sem latifúndio ou ,

Apenas conspiro outra visão de mundo,

Imundo e intragável,

Corro pra não ser surpreendido,

Sofro por ver a vida se esgueirando,

Hoje sucumbido,

O amanhã é mal dormido,

Escarrado, abandonado,

Acabado na cova ao lado,

Isso tudo em pouco tempo,

Há muita coisa ainda pra ser feita,

Agora pouco penso,

Até faço ou então me calo,

Prefiro assim sem outro beijo...

Desse asfalto, sujo,

Nervoso e intolerante,

Nessa rua bandida, aspirante,

Vendendo poeira clara em qualquer canto,

Qualquer uma dessas esquinas,

Já tentei dormir e, ainda bebo,

Até que me apareça ao menos uma dose de sono...

 


 

Noite vem, me acorda

E, nos meus olhos,

Não me deixa dormir...


Mesmo não sendo tão fácil assim.


Hoje sinto muito o frio,

Você sempre esqueceu

O seu casaco na cadeira...


Realmente desentendo suas maneiras.


Ainda tenho aquela

Falta de sono,

Passo o tempo do

Mesmo jeito de sempre...


Não tenho mais a memória recente.

 



Sobrevoava o mar,

jeito gole escarrado...


Nada efeito

Lágrimas.


O vento

Ainda corta

Seu rosto...


Não soube da

Asa da xícara quebrada.


Nesses olhos

Penumbra o

Suor do teu rosto.


Não sinto mais

Tanto aquele gosto...

 

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