
Foto de Denise Molinaro
Um dia,
Tantos bares a passar
Por mim, poucas doses desse
Seu olhar... Sede, muita sede ao
Cair dos olhos derrubados em gotas,
Mutuo ainda a névoa que me acompanha
Ao escorregar naquela curva de balcão,
Ainda ontem, deixei um gole passear pelo tapete...
Em meio ao acaso, sem descaso por você,
Eu me servi de mais um trago...
Caminho sempre e, ainda sozinho,
Caminho sempre cambaleante sem olhar para o que se foi...
Para o que se esvai e,
Caminho sem qualquer rumo.
Não procuro,
Apenas peço carona.
Pra onde nem sei, sei lá, me deixe alí...
Respirar, faz tempo que meu peito me aperta,
Ainda ontem fiquei alerta,
Procurando de onde vinha aquela fumaça,
De onde veio todo aquele receio...
Faz tempo que me falta tempo,
Pra olhar pela janela...
Já faz tanto tempo que não abro a porta,
Faz tempo... Que faltou tempo
...
SEQUELAS
Respirava mal, sentia seu pulmão
Saltando do último andar,
Jorrava perdões ao cortar os pulsos,
Aos seus olhos
Não haviam mais uma gota
Sequer de sentido,
Já havia sentido muito... Sinto muito e,
Ainda assim, sentido tinha sido
Algum... E sentindo
Derramavamos-nus end lágrimas.
Parou de fever o estômago,
Escarrou os detalhes...
Soçobraram-se nos olhares predidos...
Muito frio ainda sinto!
Bocejos por falta de sono, mesmo dormindo
Nos braços, em nossos abraços...
Passo a passo,
Nosso marca-passo,
Em descompasso.
Agora mal estancado o medo,
De sentir, respirar ou olhar,
Por voltar a caminhar?!