Isso foi o melhor balcão de bar que eu conheci, no meio da rua, desleixado como o amanhecer das calçadas de frente aos bares que eu dormia na adolescência de Londrina. Muito a vontade e, vendo o melhor ângulo da cena da noite que aconteceu naquele bar. Numa noite dessas é difícil não reparar nos detalhes da diversão estampada no sorriso dos amigos. Um copo, um cigarro, muito tempo tirando sarro... Ah, bons tempos aqueles, aqueles os quais eu não tinha medo de acordar com o sol na cara e babando com a boca esfregada no meio fio, sem hora pra chegar ou pra sair, nem ao menos pra voltar. Pobre daquela senhora que me esperava da janela sem saber se eu voltaria aquele dia e, se eu voltasse, será que estaria por inteiro? Os vizinhos entortando o pescoço ao redor do quintal enquanto ela me dizia:
- Vá pro banheiro, eu vou te preparar um café... Você precisa dormir rapaz.
Me lembro também daquelas garotas que freqüentavam o Bar Brasil, que faziam parte de um grupo de jovens de uma igreja católica, que eu nem mesmo lembro o nome. Acabei entrando no grupo de jovens apenas com um único propósito, pegar essas garotas que me tiravam o sono e, que me deixavam ávido e libidinoso... Hoje vejo as coisas com uma certa preocupação que naquela época não pensava nem um pouco que pudesse um dia existir na minha cabeça. Uma filha que não vejo há muito tempo, uma mãe que até hoje me espera preocupada na janela, amigos me tirando do redor das confusões, um amor que parece não se cansar das madrugadas, dos tapas, nem dessas lágrimas perdidas por nada. É sempre bom estar assim, pronto para aquilo que não estamos esperando. Gosto e muito do riso bêbado dos amigos no estancar da noite arrebentando o dia até que não consigam ficar mais de pé, e mesmo assim não conseguem ir embora por apenas não quererem abandonar o barco naufrago dessa vida carcomida, roubada e insolúvel que vivemos...
Talvez isso seja a grande razão de nos encontrarmos dia após dia, com tanta sede, no mesmo bar, como de costume! Um brinde!!!