Hoje a noite é perigosa,
Bebo e trepido sempre
No meu próprio vômito...
Acordei com sono, com vontade de
Continuar num estado assim, cataléptico.
Ontem eu caí naquele poço,
Aquele que eu havia fechado pra não cair de novo,
Pra não me escorrer durante a chuva,
Pra não passar mais na sua rua...
Fugi enfim dessa vida de merda, essa
Que ainda tenta me passar a
Perna, que me atenta e não consegue
Me botar a culpa, nem ao menos
Me convence de voltar pra casa...
Você pra mim até parece uma ameaça,
Mas isso tudo logo passa, por mim, pelo
Viaduto e, acaba voltando pro seu
Próprio bem, ao seu pequeno reduto.
Acabou de passar por aqui, o inevitável,
Um passeio desencontrado, e como sempre,
Comecei olhar pra outro lado.
Queria eu cair de boca, com essa minha
Vida dispersa e meio rouca.
Mais um dia se passa e como sempre,
Eu caindo nas calçadas, Vendo os
Carros e a vida a passar por mim,
Sem a mínima graça...
Lembrei apenas daquele olhar
Que só me escracha, que
Assim continua... Me tirando
Aquele afago, com toda essa calma...
Que também se acaba
Agora durmo pra não sonhar com
Aquilo que se passa, horas e horas
Vão se percorrendo.
Continuo eu, caminhando, tentando
Abrir a porta de fora do meu mundo...
Quem sabe assim dessa maneira,
Eu acabe conseguindo algum refúgio...